Pesquisa revela percepção dos homens sobre machismo

11 de maio de 2017 Comente »
Pesquisa revela percepção dos homens sobre machismo

O Instituto Avon/Locomotiva acaba de lançar no Brasil a pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo”. A maioria de entrevistados e de entrevistadas acredita que deveríamos lutar por um mundo menos machista.

Interessante observar que as pessoas observam o machismo nos outros, 87% consideram ao menos parte da população machista, mas dizem não serem machistas, apenas 24% assim se reconhecem.

Outro dado que chama a atenção: 31% dos homens entrevistados disseram desejar serem menos machistas, embora não saibam como agir. O machismo que pretendem combater está tão arraigado no grupo masculino que 24% responderam não ter coragem de sair em defesa das mulheres no meio de outros homens e 43% disseram “pegar mal” reclamar quando alguém divulga fotos de mulheres nuas em um grupo masculino no WhatsApp.

63% acreditam que os homens podem ser feministas. Para a maioria deles, ensinar os filhos a respeitar as mulheres é a principal forma de lutar contra o machismo. Mesmo assim, propostas de mudanças mais radicais, como deixar um filho homem brincar de boneca, são rejeitadas pela grande maioria dos entrevistados.

E o que pode fazer os homens mudarem sua postura em relação ao machismo? A pesquisa destaca duas atitudes relatadas pelos próprios homens: diálogo sobre o assunto com outra pessoa, homem ou mulher, e conversa de “homem para homem” como uma ação de alto poder transformador.

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Assim como pesquisas sobre racismo, a pesquisa do Instituto Avon/Locomotiva revela que as pessoas reconhecem um problema, mas geralmente o vê nos outros, não nelas mesmas. Quando reconhecem, as atitudes transformadoras são frágeis diante de uma cultura machista dominante em toda a sociedade. O exemplo na pesquisa em questão é o fato da maioria reconhecer o machismo, a desigualdade de gênero, mas a metade dos homens ainda não admitir um homem cuidar da casa e a mulher trabalhar fora.

Talvez o melhor caminho seja o diálogo. Como revela a pesquisa, conversas com outras pessoas ajudaram a mudar atitudes, e 81% dos homens concordam que devem falar com outros homens sobre o que fazer para as mulheres não sofrerem preconceito.

O feminismo pode ajudar muito nesse processo de desconstrução do machismo. Diálogo e discussões podem levar à reflexão e transformação, ao contrário da simples crítica e denúncia. Isso porque quase a metade dos entrevistados afirma que chamá-los de machistas não os motivaria a se engajar no enfrentamento à violência contra a mulher.

A pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo” foi realizada entre setembro e novembro de 2016. A metodologia empregada envolveu entrevistas em profundidade com especialistas de órgãos públicos, imprensa e organizações da sociedade civil, com atuação importante no enfrentamento à violência contra a mulher, e grupos de discussão em São Paulo, um com homens e outro com mulheres, de 16 a 30 anos. Também houve uma pesquisa quantitativa nacional, de abordagem presencial, com 1.800 entrevistas com homens e mulheres de 16 anos ou mais, em 70 municípios distribuídos nas cinco regiões do país.

Leia a pesquisa: “O papel do homem na desconstrução do machismo

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