Menos mulheres concorrem nas Eleições 2018

20 de agosto de 2018 1 Comentário »
Menos mulheres concorrem nas Eleições 2018

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral de 16/08, um dia após o prazo final para registro de candidaturas, 7.537 mulheres pretendem concorrer a cargos públicos nas próximas eleições. O número é menor em relação às Eleições de 2014, quando 8.131 mulheres se cadastraram. Em termos percentuais, foram 31,07% em 2014 e 30,06% agora, embora as candidaturas ainda precisem ser julgadas aptas ou não.

Como o número de candidatas costuma estar diretamente ligado ao total de eleitas, apenas 1.119 em 2014, a subrepresentação política feminina deve continuar na Câmara Federal, no Senado, nas Assembleias Legislativas, Distrital e na Presidência da República.

Enquanto não há avanços no Brasil, outros países dão o exemplo. Nas eleições mexicanas realizadas em julho, houve um fato histórico: pela primeira vez mulheres vão ocupar metade do Parlamento, 48,8% de deputadas e 49,22% de senadoras. Uma lei de cotas no México institui a obrigatoriedade de 50% de candidatas por legenda e listas eleitorais alternadas entre homens e mulheres.

No Executivo, também teve uma surpresa: uma mulher vai governar a Cidade do México, capital do país e segunda cidade mais populosa das Américas. É a física Claudia Sheinbaum, de 56 anos, do mesmo partido do presidente eleito Andrés Manuel López Obrador. Este anunciou que seu ministério será formado por sete mulheres e nove homens. E elas vão ocupar pastas importantes: Secretaria de Governo, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente e Recursos Naturais, Economia, Secretaria da Função Pública, Trabalho e Previdência Social e Secretaria de Cultura. O novo governo começa em 1º de dezembro de 2018.

Do outro lado do Atlântico, mais um caso de avanço foi o anúncio, há poucos meses, do gabinete ministerial do novo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Por lá não houve paridade de gênero, e, sim, maioria, 11 mulheres e seis homens foram anunciados. Entre as importantes pastas agora administradas por mulheres, estão o Ministério de Economia e Empresa, Defesa e Fazenda.

Enquanto aguardamos avanços no Brasil, uma recente pesquisa publicada pelo “Journal of Economic Behavior & Organization” revelou que países governados por mulheres têm um menor índice de corrupção. O estudo analisou 125 nações, incluindo o Brasil. Os resultados da Europa afirmaram que as taxas de suborno em regiões com a maior representação de mulheres são bem menores.

Sem contar que países com mais mulheres na política tendem a garantir avanços em direitos de populações historicamente excluídas e marginalizadas, a exemplo de crianças, adolescentes, idosos, negros, LGBTT e as próprias mulheres. Isso é bom para a democracia por combater injustiças e melhorar a qualidade de vida de toda a sociedade.

Mas o Brasil vem caindo de posições no ranking que mede a presença de mulheres no Parlamento. Para comparação, o país ocupava a 119ª posição entre 188 países analisados em janeiro 2014. Atualmente ocupa a 152ª posição com 193 países analisados, segundo dados atualizados em junho deste ano. O Brasil caiu de posições porque nos últimos anos muitas outras nações avançaram em representatividade feminina nos seus parlamentos, aumentando inclusive a média mundial (23%).

Mesmo assim, a situação continua muito desigual, pois apenas três nações têm paridade de gênero: Ruanda, Cuba e Bolívia. Os dados no México citados acima ainda não foram atualizados, fazendo supor que o Brasil caia mais uma posição talvez já na próxima atualização do ranking da União Interparlamentar.

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1 Comentário

  1. Maria Aparecida de O. Corrêa agosto 22, 2018 at 13:13 - Reply

    Ótimo texto com informações muito pertinentes ao momento que vivenciamos.
    Aproveito para convidar a redatora a participar do lançamento do 37o. Informativo Semestral do Comitê de Cidadania nesta quinta-feira, 23/08/2018, 15 horas no auditório da OAB – R. Marechal Deodoro, 552- 3o. andar.

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