Mulheres têm importante papel na história da fotografia e do fotojornalismo no Ocidente

7 de abril de 2015 1 Comentário »
Mulheres têm importante papel na história da fotografia e do fotojornalismo no Ocidente

Jornal Mulier – Janeiro de 2014, Nº 120

Embora os homens sejam mais conhecidos, mulheres tiveram papel de destaque no desenvolvimento de técnicas e na documentação fotográfica de momentos importantes da história

Na história da fotografia, inúmeros são os nomes masculinos responsáveis pelo aperfeiçoamento da técnica. A primeira descoberta importante foi a “câmara escura”, cujo conhecimento de seus princípios ópticos é atribuído a Aristóteles, em 300 a.C.

Séculos depois, a técnica foi sendo aperfeiçoada pelo cientista napolitano Giovanni Baptista Della Porta. Ele publicou em 1558 uma descrição detalhada do funcionamento da câmara escura e de seus usos. Esta câmara era um quarto restrito à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca, mas somente duzentos anos depois foi possível fazer a primeira impressão fotográfica, ao projetar os contornos de uma pessoa sobre uma folha de papel branco impregnada de cloreto de prata. Os contornos apareciam em branco, num fundo escuro.

Posteriormente, Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833) teve a ideia de usar como material sensível o betume-da-judéia, que a luz altera e torna insolúvel, fazendo com que as imagens obtidas ficassem inalteráveis. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmara escura, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa, sendo esta considerada a primeira fotografia permanente do mundo, num processo batizado por Niépce de “heliografia”, gravura com a luz solar. Suas experiências foram compartilhadas com Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Este verificou que uma chapa de prata iodetada – o daguerreótipo -, pela exposição aos valores de iôdo, se impressionava pela ação da luz, e a alteração, quase invisível, podia ser revelada pela exposição aos vapores de mercúrio. Depois era fixada por uma solução de cianeto de potássio que dissolve o iodeto inalterado.

O daguerreótipo (1839) foi a primeira solução prática do problema fotográfico. Dois anos após a morte de Nièpce, Daguerre descobriu que uma imagem quase invisível, latente, podia revelar-se com o vapor de mercúrio, reduzindo-se assim de horas para minutos o tempo de exposição. Em todas as áreas atingidas pela luz, o mercúrio criava um amálgama de grande brilho, formando as áreas claras da imagem. Após a revelação, agora controlada, Daguerre submetia a placa com a imagem a um banho fixador, para dissolver os halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da imagem. Inicialmente foi usado o sal de cozinha, o cloreto de sódio, como elemento fixador, sendo substituído posteriormente por Tiosulfato de sódio (hypo) que garantia maior durabilidade à imagem.

Este processo foi batizado com o nome de Daguerreotipia. Aperfeiçoando os processos, George Eastman criou a película de rolo de celulóide que permanece em uso até hoje, cada vez mais substituídos por chips em função do desenvolvimento da informática e digitalização de imagens, processos práticos, de baixo custo e com grande capacidade de armazenamento de imagens.

Mas esta história não foi feita apenas por homens. A esposa de Fox Talbot, por exemplo, Constance, ajudou-o a desenvolver papéis sensíveis a luz e também no desenvolvimento das imagens. Em 1839, ela descobriu junto com ele como adicionar iodo ao processo de Talbot para aumentar a sensibilidade à luz do papel. O inglês Fox-Talbot procurou fugir da patente do daguerreótipo em seu país e solucionar suas limitações técnicas, pesquisando uma forma de impressionar quimicamente o papel. Em 1839, quando chegaram à Inglaterra os rumores do invento de Daguerre, Talbot tinha aprimorado suas pesquisas e precipitadamente publicou seu trabalho e o apresentou à Royal Institution e à Royal Society. Um ano depois, o material sensível foi substituído por iodeto de prata, sendo submetido, após a exposição, a uma revelação com ácido gálico. O processo, que inicialmente foi batizado de Calotipia, ficou conhecido como Talbotipia e foi patenteado na Inglaterra em 1841.

A partir daí, foi um passo para muitas mulheres aderirem à prática da fotografia profissionalmente, sendo também pioneiras. A primeira fotografia de paisagem realizada com um Daguerreótipo foi feita por uma mulher, Ann Cook, e coube à parisiense Antonieta DeCorrevont o título de primeira mulher no mundo a trabalhar profissionalmente com fotografia, abrindo um estúdio de retrato em Munique no ano de 1843.

Mas foi no século XX que a fotografia tornou-se atividade profissional reconhecida e também uma arte, tendo muitos nomes femininos tornados célebres: Dorothea Lange, Margaret Bourke-White, Lee Miler, Eve Arnold, Tina Modotti, Vivian Maier, Annie Leibonitz, Gioconda Rizzo, entre tantas outras, algumas retratadas nesta edição.

Dorothea Lange – 1895-1965

Dorothea Lange foi responsável por mostrar ao mundo o drama vivido pela população norte-americana após a Crise econômica e financeira de 1929

Dorothea Lange

Dorothea Lange nasceu em 1895 nos Estados Unidos, fruto da segunda geração de uma família de imigrantes alemães. Quando criança, teve paralisia infantil, deixando-a manca e mais sensível em relação ao sofrimento alheio, influenciando sobremaneira o seu trabalho. Aprendeu a fotografar na Columbia University de Nova Iorque, logo começando a trabalhar como aprendiz em diversos estúdios da cidade. Em 1918, já inaugurava um estúdio próprio de retratos na cidade de São Francisco, onde viveu o resto da vida.

A partir de 1929, com a crise econômica que abalou os Estados Unidos, Lange saiu com sua câmera para fotografar a situação das ruas, percorrendo inúmeros estados retratando a pobreza que assolava o interior naquela época. A partir dessa experiência, tornou-se uma influente fotógrafa documental e fotojornalista conhecida em todo o mundo por seus retratos da Grande Depressão, feitas para a Farm Security Administration, instituição criada para combater a pobreza rural ocasionada pela crise.

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Entre os anos de 1935 e 1939, Dorothea Lange retratou o sofrimento de pessoas pobres e esquecidos, principalmente famílias rurais deslocadas e dos trabalhadores migrantes, imagens que ajudaram a humanizar as consequências da crise e influenciaram no desenvolvimento da fotografia documental. Seus retratos eram distribuídos gratuitamente a jornais de todo o país, sendo a foto mais conhecida intitulada “Mãe Migrante” (1936), imagem de uma imigrante, Florence Owens Thompson, com três dos sete filhos, uma das imagens mais importantes de todos os tempos.

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Em reconhecimento ao seu trabalho, a fotógrafa ganhou uma bolsa da Fundação Guggenheim, a qual abandonou para poder registrar a evacuação forçada de japoneses americanos em campos de realojamento após o ataque a Pearl Harbol. Suas imagens mostrando crianças jurando lealdade à bandeira antes de serem enviadas a campos lembram uma antiga política dos Estados Unidos: primeiro prender inocentes sem oferecer qualquer apoio, fotos confiscadas pelo exército norte-americano, mas hoje disponíveis no arquivo nacional e na Biblioteca da Universidade da Califórnia. Na década de 1950 e 1960, documentou por meio de imagens realidades de outros países, como Irlanda, Leste da Ásia, América do Sul, Egito e Oriente Médio. Dorothea Lange faleceu em 1965.

Tina Modotti – 1896-1942

Tina Modotti, a fotógrafa da revolução

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Tina Modotti nasceu na cidade italiana de Udine em 1896. Ainda jovem emigrou com parte da família para os Estados Unidos, fugindo da miséria. Começou a trabalhar em uma empresa têxtil para ajudar a família e logo virou modelo das roupas da empresa, passando a posar para pintores e escultores. Também participou de peças teatrais e, na década de 20, trabalhou em filmes de Hollywood.

Apesar de não ser mexicana, Tina tinha grande apreço pelo país que conheceu em 1922. Um ano depois, Tina mudou-se para o México junto com o fotógrafo Edward Weston. Encantavam Tina a vida cultural agitada do país e as mudanças que aconteciam em virtude da Revolução Mexicana, a primeira revolução popular latino-americana do século XX a alcançar o poder. Tinha como pilares a reforma agrária, a nacionalização do petróleo, a expropriação dos bens das empresas petroleiras estrangeiras, a industrialização do país e a universalização do sistema educativo.

Tina Modotti tinha grande ânsia pela mudança social e política e, pela fotografia, ela conseguiu transmitir as mudanças da população ao longo de um período de grandes transformações sociais, culturais e políticas. Logo, ela filiou-se ao Partido Comunista Mexicano. Apesar do clima revolucionário, ser comunista na década de 20 significava correr riscos.

Os comunistas mexicanos ajudavam camponeses e peões a se organizarem em greves e ocupações pacíficas de terras. Dessa forma, muitos morriam assassinados por soldados ou pistoleiros a serviço de patrões e latifundiários. Tina Modotti tornou-se um dos maiores nomes da fotografia no século XX, com trabalhos retratando a classe trabalhadora, retratos e artefatos que procuravam denunciar as injustiças, trabalhos que se tornaram emblemas revolucionários.

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O trabalho de Tina e sua participação nos quadros do Partido Comunista começaram a incomodar muita gente. Seu próprio estilo de vida já era considerado polêmico. Vivia com seu amante, com quem tinha uma relação aberta, era retratada em nus, fotografava a realidade do país e usava roupas pouco convencionais para a época, como blue jeans. Segundo seu biógrafo, Ángel de la Calle, ela incomodava a burgueses, católicos e a própria colônia estrangeira mais pelo estilo de vida do que por manifestações com foice e martelo.

A situação ficou delicada quando presenciou o assassinato do cubano Julio Antonio Mella. Ele era o fundador do Partido Comunista Cubano e mito da esquerda latino-americana, além de ser o novo amor de Tina Modotti. Foi assassinado ao lado dela, mas ela não soube apontar os assassinos. Diante do clima tenso de assassinatos e conspirações políticas, Tina foi acusada pelos jornais de direita e sensacionalistas do México, que afirmavam ser um assassinato passional e não político porque Julio desagradava a ditadura cubana e os camaradas comunistas que o acusavam de não seguir a política soviética. Ficou presa pelo episódio e logo depois foi acusada de terrorismo e de atentar contra a vida do presidente eleito do México, Ortiz Rubio.

Na verdade, Tina era perseguida, assim como os comunistas que estavam sendo deportados, detidos e assassinados. Precisou sair do país em 1930, indo para a Alemanha, e entrou definitivamente para o trabalho conspiratório da Internacional Comunista, trabalhando para a organização humanitária Socorro Vermelho Internacional, ajudando perseguidos políticos e suas famílias, além de camuflar agentes secretos.

Parou de fotografar quando foi morar em Moscou, e sua meta passou a ser servir exclusivamente à revolução. Teve como amigos na capital soviética Luís Carlos Prestes e Olga Benário e escreveu artigos sobre temas que iam da situação dos operários na América Latina à condição e exploração de crianças e mulheres. Também realizou importantes missões pela Europa e participou ativamente da Guerra Civil Espanhola, onde ficou horrorizada com a violência da guerra, a fome, a miséria e a morte de inocentes.

Mas como seu destino parecia ser o México, Tina Modotti retornou ao país depois de detida nos Estados Unidos e logo ficou inconformada com o pacto de não-agressão entre Stálin e Hitler. A frustração com o trabalho e a vida difícil enfraqueceram a saúde de Tina. Em 1942, ela morreu misteriosamente dentro de um táxi, de ataque cardíaco, embora não sofresse do coração.

Margaret Bourke-White – 1904-1971

Margaret Bourke-White, a primeira mulher a trabalhar em áreas de conflito militar na Segunda Guerra Mundial

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Nascida em Nova Iorque no ano de 1904, Margaret Bourke-White sofreu influência do pai no gosto pela fotografia. Ainda muito jovem, com oito anos, na casa cheia de fotografias, fingia tirar fotografias, imitando o pai, com uma caixa vazia de cigarros e ajudava-o a revelar algumas imagens. Em 1921, entrou para a Universidade de Michigan e começou a tirar fotografias para o anuário da instituição, logo sendo convidada para ocupar o cargo de editora de fotografia. Mas o convite não foi aceito diante do casamento com um estudante de engenharia. Dois anos depois, já divorciada, ela voltou a dedicar-se à fotografia. Formada, organizou um portfólio e montou um estúdio no seu próprio apartamento.

Belas casas e jardins eram fotografados por Bourke-White, proporcionando ganhos financeiros. Nos tempos livres, dedicava-se a fotografar o que realmente lhe interessava: predominantemente fundições e estruturas de aço. Seus trabalhos crescentemente chamavam a atenção, proporcionando a abertura de um outro estúdio até ser convidada em 1929 para colaborar com a recém criada revista semanal “Time” e a revista de negócios “Fortune”, optando por esta última. Seu trabalho como repórter fotográfica rendeu à ela a primazia de ser a primeira ocidental a fotografar em território soviético e a primeira mulher a trabalhar em áreas de conflito militar, durante a Segunda Guerra Mundial.

A viagem à Rússia, em 1930, foi decidida por sua própria conta e risco, quando a entrada no país estava vedada a estrangeiros. Foi autorizada a entrar após um oficial russo ficar impressionado com seu portfólio. Este também solicitou total apoio da população ao trabalho de Margaret Bourke-White. A viagem de várias semanas à Rússia rendeu quase mil fotos e o primeiro grande documentário sobre o país. Outra viagem à Rússia aconteceu em 1941, em circunstâncias inusitadas, quando as tropas nazistas começaram a lançar bombas sobre Moscou. Era a Segunda Guerra Mundial e Bourke-White tornava-se a primeira mulher a trabalhar em áreas de conflito militar no maior conflito armado da história. Além disso, ela proporcionou à revista “Life”, para quem trabalhava no momento, um furo de reportagem, pois era a única correspondente estrangeira no país naquele momento.

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Após esta experiência, os cenários de guerra foram uma constante na fotografia de Margaret Bourke-White. Esteve em campos de concentração e documentou por meio de imagens a destruição causada por bombardeios norte-americanos dentro dos próprios aviões militares, além de estar na Guerra da Coreia. Também visitou inúmeras cidades dentro dos Estados Unidos e diversos países para fazer fotoreportagens, a exemplo da Índia, Paquistão e África do Sul. Em uma dessas viagens, conseguiu fotografar para a “Life” o líder indiano Mahatma Gandhi durante uma entrevista, precisamente uma hora antes de seu assassinato. Margaret Bourke-White morreu em 1971 aos 67 anos.

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Lee Miller – 1907-1977

Lee Miller era uma das poucas, senão a única, fotojornalista a cobrir o Dia D, depois documentando as cicatrizes deixadas pela guerra em vários países da Europa

Lee Miller

Lee Miller nasceu em Nova Iorque em 1907 e na cidade teve seu primeiro contato com a fotografia, trabalhando como modelo para conhecidos fotógrafos da época em função de sua beleza. Somente em 1929, quando foi para Paris, trabalhou com o conhecido artista e fotógrafo surrealista Man Ray, convivência que acabou por influenciar sua arte de fotografar pelo resto da vida. Aprendeu com ele a dominar técnicas de iluminação, impressão, entre outras, e juntos descobriram uma maneira de reversão parcial de negros e brancos, que cria uma aura prateada, processo conhecido como “solarização”.

Conseguiu montar um estúdio fotográfico próprio em Paris, na década de 1920, tornando-se uma conhecida retratista e fotógrafa de moda. Além da França e dos Estados Unidos, Miller viveu no Cairo (Egito) e Londres (Inglaterra) e viajou por muitos outros países, como a Grécia e a Romênia. No Egito, para onde se mudou após casar com um empresário local, ficou fascinada por longas viagens pelo deserto, quando podia tirar fotografias de aldeias desertas e ruínas. Em 1937, conheceu seu segundo marido durante uma visita a Paris, o britânico Roland Penrose, um artista surrealista, e viajou com ele para a Grécia e a Romênia.

Em 1939, Miller mudou-se para Londres, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, indo morar com Penrose e desafiando as ordens da Embaixada dos EUA para voltar ao seu país de origem. Na capital inglesa, conseguiu um emprego como fotógrafa freelancer na revista “Vogue” britânica, fazendo trabalhos documentais, retratos e moda, tornando-se uma das maiores colaboradoras da revista, logo sendo enviada para o front da Segunda Guerra Mundial.

Assim como Margaret Bourke-White, Lee Miller foi uma das primeiras mulheres correspondentes de guerra, quando em 1944 tornou-se correspondente credenciada para o Exército dos EUA junto com o fotógrafo da “Time Life” David E. Scherman. Ela seguiu as tropas norte-americanas no exterior e estava presente nas batalhas do Dia D, sendo uma das poucas mulheres fotojornalistas cobrindo a guerra na Europa na linha de fogo. Entre suas muitas façanhas, testemunhou a Libertação de Paris, os combates em Luxemburgo e Alsácia, a libertação de Buchenwald e Dachau, fotografou a casa de Hitler em chamas na cidade de Berchtesgaden, na véspera da rendição da Alemanha. Após a guerra, visitou a Europa Oriental, retratando cenas angustiantes de crianças morrendo em Viena, a vida camponesa na Hungria pós-guerra e, finalmente, a execução do primeiro-ministro Lazlo Bárdossy.

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Após a experiência de fotojornalista de guerra, Lee Miller continuou seu trabalho na cobertura de moda e celebridades, contribuindo para as biografias de artistas como Picasso, Miró, Man Ray e Tàpies. Alguns de seus retratos de artistas famosos são os mais poderosos retratos já produzidos, a exemplo da imagem de Picasso, retratado por ela. Mas são suas imagens espirituosas e surrealistas que permeiam todo o seu trabalho. Lee Miller morreu em 1977. Seu filho, Antony Penrose, ficou responsável por preservar e levar a público milhares de imagens e documentos deixados pela mãe, muitos disponíveis no site http://www.leemiller.co.uk/

Eve Arnold – 1912-2012

Engajada no movimento pelos direitos civis nos EUA, Eve Arnold ganhou prêmios por retratar diversidade cultural em vários países

Eve Arnold

Outra pioneira no fotojornalismo foi Eve Arnold, uma das primeiras mulheres a se tornarem fotojornalistas da prestigiada agência Magnum em 1951, agência fundada por Henri Cartier-Bresson e Robert Capa, dois dos grandes nomes da fotografia mundial. Nascida em 1912 na Filadélfia, Estados Unidos, começou a fotografar em 1946, enquanto trabalhava em uma fábrica de foto-acabamento e estudou fotografia em 1948 com Alexei Brodovitch na New School for Social Research, em Nova York.

Desde jovem, Eve interessava-se por questões sociais, um de seus primeiros ensaios fotográficos publicados foi sobre modelos negras em um desfile de moda no bairro do Harlem nos EUA. Ela era ativa no movimento dos direitos civis e foi pessoalmente selecionado pelo líder negro Malcolm X para acompanhá-lo em viagens como fotógrafa. Nos primeiros anos da carreira, também fotografou inúmeras celebridades: Marilyn Monroe, Joan Crawford, Marlene Dietrich e Isabella Rossellini.

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Além dos Estados Unidos, Eve viveu na Inglaterra e trabalhou na China. A estadia na China levou à sua primeira grande exposição individual com fotografias tiradas no país. Em outras viagens a países distantes, Arnold registrou culturas diversas, garantindo inúmeros prêmios à fotógrafa. Entre alguns de seus trabalhos, estão fotografias de treinadores de cavalos na Mongólia, trabalhadores de fábricas na China e mulheres de haréns em Dubai. Muitas de suas fotografias ilustraram além de revistas, livros. Ela fotografou até meados da década de 1990 e escreveu vários livros. Faleceu em janeiro de 2012 aos 99 anos.

Gioconda Rizzo – 1897- 2004

A brasileira, considerada a primeira fotógrafa profissional no país, aos 15 anos já tinha um estúdio próprio e clientela cativa

Gioconda Rizzo

No Brasil do início do século XX, cabiam às mulheres, esposas e filhas de fotógrafos, apenas o trabalho de laboratório, acabamento e fotopintura. A pioneira foi Gioconda Rizzo, a primeira mulher a ter a autoria de seus trabalhos reconhecida. Aos 15 anos, já tirava e revelava fotos escondida do pai, o fotógrafo italiano Michelle Rizzo, mas este logo reconheceu o talento da filha e montou um estúdio para ela, o Photo Femina, em 1914.

Michelle Rizzo atendia pessoas importantes, famílias tradicionais e fotografava formaturas, mas a filha ganhou clientela própria por sua ousadia em retratar, surpreendendo logo quando fez sua estréia na profissão. “Gioconda enquadrou apenas os ombros e o rosto, quando ainda era comum entre os fotógrafos retratar as pessoas de corpo inteiro, em pé ou sentadas. A atitude ousada de Gioconda rompeu com os padrões da época e chamou a atenção das damas da alta sociedade paulistana. Em pouco tempo, ela ganhou fama e clientela própria”, conta André Lima.

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Tornando-se a primeira mulher a atuar profissionalmente na cidade de São Paulo, atendendo senhoras e crianças, preferencialmente as primeiras, pois as segundas davam muito trabalho, nunca homens, uma imposição do pai. Toda a produção fotográfica era feita por ela, lançando moda na cidade, com o uso de véus, ombros à mostra e adornos de flores na composição dos retratos, não optando por fotografias de corpo inteiro, criando novos ângulos e ressaltando a expressão do rosto. Com isso, revelava a sensualidade feminina em mulheres que nem sabiam que eram sensuais.

No entanto, o estúdio de Gioconda teve que fechar as portas, levando-a a trabalhar novamente com o pai, quando o irmão mais velho percebeu entre as clientes a presença de cortesãs francesas e polonesas. Diante de uma sociedade rígida em seus costumes, Gioconda não teve escolhas, embora tenha continuado seu trabalho pioneiro, posteriormente aprendendo novas técnicas de fotografia sobre porcelanas e objetos como joias e enfeites. Gioconda Rizzo viveu até os 107 anos, morrendo em 2004, lúcida e com ótima memória, capaz de lembrar detalhes de como foram feitos seus retratos.

Fonte

http://foto.espm.br/; http://www.moma.org/

CALLE, Ángel de la. “Modotti: uma mulher do século XX”. São Paulo: Editora Conrad, 2005

http://www.infopedia.pt

http://www.leemiller.co.uk/; http://www.vam.ac.uk/

http://www.magnumphotos.com;http://www.redbox.de

http://www.theguardian.com

http://photos.uol.com.br/;http://blogs.estadao.com.br/

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1 Comentário

  1. Angeles maio 22, 2015 at 13:58 - Reply

    Afinal as mulheres são muito versáteis e com grande capacidade de inovação e invenção! Enfim, nada que não seja conhecido, mas às vezes vale a pena lembrar…

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