Crise aumenta casos de violência às mulheres

29 de maio de 2018 Comente »
Crise aumenta casos de violência às mulheres

Recessão, desemprego, cortes de investimentos públicos, aumento da violência contra as mulheres. O roteiro é conhecido. Quando a sociedade está mal, meninas e mulheres são uma das principais vítimas.

Os dados das últimas semanas comprovam: em Minas Gerais, “Feminicídios no Estado crescem 29% em três anos”, estampa a capa do jornal “O Tempo”. Foram 127 mulheres assassinadas somente no ano passado.

No estado mais rico do país, São Paulo, registra-se o maior índice trimestral de estupros desde 2013. Entre janeiro e março de 2018, foram 3.218 casos, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.

Estupros também aumentaram no estado do Rio de Janeiro. De acordo com o Dossiê Mulher 2018, registraram-se 4173 de estupro e 356 tentativas de estupro. Os dados revelam um aumento desse tipo de violência, conforme o jornal “Mulier” verificou.

No Dossiê Mulher 2017, foram 4013 estupros e 387 tentativas. Ou seja, as tentativas diminuíram, mas houve maior efetivação da violência sexual. Meninas de até 11 anos representam mais de um terço do total de vítimas femininas de estupro.

Ainda com relação à violência sexual, a Polícia Rodoviária Federal revelou aumento de 20% nos pontos de exploração sexual nas rodovias federais brasileiras. São quase 2,5 mil pontos mapeados no período de 2017/2018. As principais vítimas são meninas.

O número de resgates diminuiu, mas, segundo a PRF, motivado pela interiorização da exploração. Redes e aliciadores de menores têm migrado para rodovias estaduais, dificultando o resgate de crianças e adolescentes. Há casos em que crianças podem ser compradas de famílias vulneráveis para serem exploradas nas estradas brasileiras.

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Embora a PRF faça mapeamento constante e treinamento com os policiais relativos ao tema, a instituição teve seu orçamento reduzido quase pela metade nos últimos dois anos para o policiamento nas rodovias, o que pode comprometer o combate a esse tipo de crime.

Baseado nos dados relatados, compreende-se a relação entre crise econômica e aumento da violência de gênero. O desemprego aumenta o estresse emocional e o consumo de drogas lícitas, em especial o álcool, e ilícitas, causando desestruturação familiar, sendo o ambiente doméstico o mais comum de violência para as mulheres.

Os responsáveis pelas secretarias de segurança estaduais citadas acima afirmam ser o estupro um crime difícil de combater, porque acontece em sua maioria nos espaços domésticos, no ambiente privado, praticado principalmente por conhecidos, parceiros, parentes e vizinhos. Os dados mostram que, em relação à Lei Maria da Penha, mais da metade dos casos das lesões corporais dolosas (65,5%) e ameaças (60,7%) foram classificados como violência doméstica e familiar no Rio de Janeiro.

A crise econômica também aumenta a vulnerabilidade das famílias e leva crianças, adolescentes e mulheres, sem perspectivas de vida, à exploração sexual, como constata a pesquisa da PRF. A deterioração dos serviços públicos de fiscalização, combate, prevenção e promoção de emprego e renda aprofunda os problemas citados.

Como consequência, toda a sociedade sofre, especialmente as meninas e mulheres, principalmente negras, sempre as maiores vítimas das desigualdades históricas conhecidas no país. Dados do Dossiê 2018 revelam que quanto maior a força da agressão, maior é o percentual de vítimas negras e pardas. Em relação às mulheres brancas, são 40% das vítimas de constrangimentos, por exemplo, mas o percentual sobre para 50% nos casos de lesão corporal e 60% entre os homicídios.

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